Desde que ingressei no curso de história em 2002, uma das coisas que mais ficaram claras para mim, foi a importância da educação no processo de libertação de uma sociedade. Não falo de uma revolução bolchevista como muitos almejam - creio que em vão - mas de uma revolução que passa pela transformação individual que leva ao coletivo, uma revolução que muda o modo de pensar, que transforma a cosmovisão de cada individuo, que o leva à problematização de sua participação no todo e, portanto, ao questionamento do status quo dominante.
Pois bem, os anos passaram e as cadeiras da faculdade também, tornei-me agente transformador da realidade de muita gente. Acredito que nos últimos três anos, período que tenho de atuação no magistério, tenha tido mais de mil alunos, ou seja, fiz parte da vida de mais de mil pessoas, mais de mil sonhos passaram pelas minhas aulas nos últimos mil dias, mil desilusões, mil conquistas, mil frustrações numa profissão nota mil.
Contudo, uma coisa ficou muito clara para mim: a importância dada a educação pelos educandos.
A imensa maioria vê a escola como uma tortura, encontra nos pátios e conversas paralelas a devir histórico da escola. Perdem a oportunidade única de promover sua própria transformação por entender que tudo é tedioso e que o legal é estar na crista da onda ao lado dos "amigos", mas bem longe dos ditames do conhecimento formal.
O que fazer?
Tenho algumas teorias que procuro a cada dia aprimorar a fim de torná-las críves e passiveis de reflexão por parte do corpo docente. Mas entendo que o principal problema está no pensamento único que se encontra a juventude e boa parte dos professores. Todos remando para um único sentido, nada é questionado, tudo é aceito e a desesperança ocupa cadeira cativa nas pretensões futuras de todos, impedindo que o papel libertador da educação seja exercido, reduzindo-a a mera reprodutora da voz daqueles que a querem dessa forma.

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